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O que é
Síndrome do Pânico?
O Transtorno do
Pânico é um distúrbio caracterizado pela ocorrência de freqüentes e
inesperadas crises de pânico, que duram minutos e costumam ser
inesperadas, podendo surpreender o paciente em ocasiões diversas.
O indivíduo se
assusta muito com a primeira crise, em função das sensações físicas
que esta provoca: alteração nos batimentos cardíacos, sensação de
perda de equilíbrio, tontura, falta de ar, palpitações e tremores.
A partir deste
susto inicial, tem início um processo de medo e ansiedade
que aumenta com a ocorrência das crises seguintes, chegando a tal
intensidade que a pessoa se sente em estado de pânico.
Alguns pacientes apresentam o Transtorno do Pânico acompanhado de
Agorafobia (estado de ansiedade relacionado a
estar em locais ou situações onde escapar ou obter ajuda pode ser
difícil no caso de um ataque de pânico, como por exemplo: estar sozinho
em casa, andar no meio de uma multidão, dirigir ou andar de carro, andar
de metrô ou ônibus, usar elevador, etc.).
O desenvolvimento
do transtorno do pânico com agorafobia está relacionado com a
ocorrência da crise de pânico após uma situação específica.
Imaginemos por exemplo que um indivíduo que chamaremos de M. teve uma
crise de pânico enquanto fazia compras em uma grande loja de
departamentos. Após esse evento M. relacionou os sintomas desagradáveis
que vivenciou com ambientes fechados e cheios de gente, desenvolvendo um
intenso medo de locais com essas características e passando a evitá-los.
Gradativamente o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise atingiram
proporções tais que M. se tornou incapaz não só de freqüentar lojas
de departamento como de sair de casa. Neste estágio, M. poderia ser
diagnosticado como portador de transtorno do pânico com agorafobia.
Com o que não deve ser confundida
1. Com a transtorno de ansiedade
generalizada, pois embora os pacientes que sofrem de transtorno do
pânico experimentem estados de ansiedade prolongada entre uma crise e
outra, os portadores de ansiedade generaliza
não apresentam crises de pânico e sim estados permanentes e prolongados
de desconforto ansioso;
2. Com a fobia
social, pois embora esses pacientes evitem situações sociais e
experimentem ansiedade e alguns outros sintomas do transtorno do pânico,
seu isolamento social é motivado pelo medo de expor-se a situações
humilhantes e não pelo receio de crises de pânico;
3. Com o pânico provocado por alterações
químicas que drogas (cocaína, maconha, crack, ecstasy, etc.) ou
alguns medicamentos usados em dietas de emagrecimento como (anfetaminas)
podem provocar.
Sintomas
O portador de Transtorno do Pânico apresente, durante as crises, quatro
ou mais dos sintomas abaixo relacionados:
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Boca
seca e perda do foco visual; |
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Calafrios
ou ondas de calor; |
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Despersonalização
ou sensação de irrealidade; |
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Dor
no tórax; |
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Formigamentos; |
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Fraqueza
nas pernas; |
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Medo
de desmaiar; |
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Medo
de morrer; |
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Medo
de perder o controle ou de "enlouquecer"; |
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Náusea
ou desconforto abdominal; |
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Palpitações; |
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Sensação
de pressão na cabeça; |
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Sensações
de falta de ar ou asfixia; |
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Sudorese; |
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Taquicardia; |
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Tonturas
ou vertigens; |
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Tremores. |
Existem outros
sintomas que, embora não estejam relacionados as crises de pânico,
muitas vezes fazem passam a fazer parte da rotina do portador de
Transtorno do Pânico:
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Diarréias
intensas em determinadas situações; |
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Sintomas
de Labirintite; |
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Pensamentos
recorrentes de que podem ter doenças graves ou as doenças dos
outros (ainda que exames médicos não indiquem nada); |
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Pensamentos
recorrentes de que podem fazer mal a si mesmos ou a outras pessoas; |
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Medo
de voltar a sentir medo ou ansiedade antecipatória (viver na
expectativa constante de ter uma nova crise). |
Exemplo Ilustrativo
Descrição típica de uma crise de pânico:
“Lembro
de estar caminhando na rua. A luz brilhava e subitamente tudo à minha
volta pareceu-me estranho, come se eu estivesse em um sonho. Senti o pânico
crescendo dentro de mim, mas consegui afastá-lo e prossegui. Caminhei
mais ou menos meio quilômetro, com o pânico crescendo a cada minuto...
Agora, eu estava suando, ainda tremendo; meu coração palpitava e minhas
pernas pareciam gelatina... Apavorada, parei, sem saber o que fazer. O
pouquinho de sanidade que me restava disse-me para ir embora. De algum
modo, fiz isso lentamente, segurando-me nas cercas ao longo do caminho. Não
consigo lembrar realmente do percurso de volta, até o momento de entrar
em minha casa, quando então desabei e chorei sem parar... Não saí
novamente por alguns dias. Quando novamente saí, foi com minha mãe e meu
bebê. Fomos à casa de minha avó, alguns quilômetros adiante. Lá,
senti pânico e não conseguia lidar com o bebê. Minha
prima sugeriu que fôssemos à casa de minha tia, mas lá tive outro
ataque e me veio a certeza de que estava morrendo. Depois disto,
senti-me totalmente incapaz de sair à rua sozinha, e mesmo com outra
pessoa isto era muito difícil. Eu não apenas tinha crises da pânico e
fraqueza, mas vivia com o medo constante de sentir isto novamente.” (Melville,
1977, pp. 1, 14)
Tratamento
Os resultados mais eficazes tem sido observados quando o psicólogo
trabalha em parceria com o psiquiatra, o
que possibilita a combinação de psicoterapia com tratamento
medicamentoso, visando o melhor benefício do paciente, o trabalho
multidisciplinar é aconselhável. Os tratamentos do Transtorno do Pânico
considerados mais eficientes atualmente trabalham com foco em alguns
objetivos:
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Ensinar o paciente
a reconhecer e controlar os sintomas das crises de pânico,
utilizando como recursos o tratamento medicamentoso aliado a
técnicas comportamentais como: controle da respiração,
dessensibilização sistemática das situações que causam
ansiedade ao paciente, técnicas
de relaxamento (artigo); |
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Trabalhar
para que o paciente consiga reconhecer e manejar as sensações
corporais relacionadas as crises de pânico e a ansiedade
antecipatória, por meio de exercícios com atenção focada nessas
sensações; |
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Ajudar o paciente a
mudar suas atitudes, por meio da mudança de pensamentos e crenças
irracionais, de forma a ver os problemas com maior objetividade,
deixando-os, dessa forma, mais fáceis de serem resolvidos; |
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Ajudar o paciente a
caminhar na compreensão das causas e origens do pânico, pois esta
compreensão é terapêutica, tranqüilizadora e beneficia as demais
etapas do tratamento; |
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A indicação de
esportes, caminhadas ou outro tipo de exercício físico podem
auxiliar no tratamento, pois os exercícios físicos liberam
endorfinas (antidepressivos naturais) que aumentam o bem estar do
paciente e deixam mais disposto para o tratamento. |
o
O transtorno do pânico com ou sem agorafobia
pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana do portador quanto
outras doenças graves, por isso é urgente a realização do diagnóstico
e o início do tratamento; o
Um passo importante para o início do
tratamento do Transtorno
do Pânico é conscientizar o paciente de que seu problema é
emocional e que tem tratamento, e a colaboração da família e
dos amigos é fundamental nesse momento;
o
Grande número de pessoas portadoras de
transtorno do pânico não estão onde deveriam estar: nos consultórios
dos psicólogos e/ou psiquiatras. É
uma multidão de pessoas que não trata adequadamente de sua doença e
prolonga o próprio sofrimento.
  

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