O que é Transtorno
Obsessivo Compulsivo?
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) consiste na
combinação de obsessões (pensamentos recorrentes e insistentes que se
caracterizam por serem desagradáveis, repulsivos ou contrários à índole do
paciente) e compulsões (comportamentos estereotipados, repetitivos,
desagradáveis e inúteis).
No Transtorno Obsessivo- Compulsivo as obsessões vêm acompanhadas
de compulsões, pois as pessoas com TOC tentam afastar suas obsessões pondo
em prática algumas compulsões, como por exemplo:

Lavar as mãos constantemente, a ponto de
torná-las avermelhadas e inflamadas;
Verificar incessantemente se desligou o
fogão ou o ferro, devido a um temor excessivo de incendiar a casa;
Contar certos objetos sem parar, por uma
obsessão de vir a perdê-los.
Diferentemente dos atos de jogar ou beber compulsivamente, as compulsões do
TOC não trazem nenhum prazer ao indivíduo, sendo realizados apenas
para obter alívio do desconforto provocado pelas obsessões.
Uma vez que sabe do absurdo ou exagero de seus comportamentos os pacientes
podem tentar evitar os pensamentos intrusivos e as
compulsões, o que causa uma tensão insuportável, motivo pelo qual acabam
cedendo às compulsões.
Os sintomas do TOC provocam angústia, consomem tempo e podem
interferir de maneira significativa no trabalho, na vida social e nos
relacionamento pessoais do portador. Como não sabem o que está acontecendo,
muitos temem estar enlouquecendo, sentem vergonha e por isso são discretos
com relação aos seus sintomas obsessivos e compulsivos, preferindo
ocultá-los a procurar ajuda especializada.
Com o que não deve ser confundida
Rituais culturais: práticas constantes e repetitivas como canções na hora de
dormir e práticas
religiosas
podem ter sido passados de geração para geração e são consideradas
manifestações normais da cultura popular.
Superstições: bater na madeira três vezes ou fazer o sinal da cruz são
rituais que pertencem ao cotidiano de muitas pessoas e representam uma
forma simbólica de afastar o perigo, sendo considerados normais desde que
a pessoa não se torne prisioneira deles.

Preocupações passageiras: o medo de contágio ou contaminação podem ser
aumentados em época de estresse, como por exemplo quando alguém na família
está doente ou morrendo.
Perfeccionismo: o perfeccionista tem altos níveis de exigência
no trabalho e
no lazer, o que não
chega a provocar sofrimento pessoal ou comprometimento
das atividades rotineiras. O portador de TOC, ao contrário, pode
envolver-se em situações como atrasar a redação de um relatório em função de
numerosas e demoradas revisões que jamais considera “perfeitas"; apresentar
grande dificuldade na administração do tempo, deixando as tarefas mais
importantes para a última hora; dedicar-se tanto à tarefa de tornar cada
detalhe de um projeto absolutamente perfeito a ponto correr o risco de
jamais terminá-lo.

Transtornos de desenvolvimento: as crianças e adultos com transtornos de
desenvolvimento pervasivo (autismo, transtorno de Asperger), são
extremamente rígidas e compulsivas, com comportamentos estereotipados, que
muitas vezes se parecem com o TOC grave. No entanto, pacientes com
esses transtornos de desenvolvimento têm problemas extremamente sérios de
relacionamento e comunicação com outras pessoas, o que não ocorre com o
TOC.

Esquizofrenia Paranóide: ao contrário do esquizofrênico, o portador de
TOC tem a crítica do absurdo de suas preocupações. Além disso, a
natureza de seus rituais é menos bizarra.
Sintomas
Os sintomas obsessivos mais comuns são:

Presença de pensamentos invasores, ruminativos e difíceis de serem
afastados com a vontade. Os temas mais comuns desses pensamentos são:
Temas relacionados a sujeira e contaminação: um pavor de se sujar ou
contaminar com suor, pêlos, germes, etc.;
Temas desafiadores: como resolver compulsivamente quebra-cabeças, fazer
contas (por exemplo, sentir-se obrigado a somar os números de todas as
chapas de carro), etc.

Temas violentos: como ter pensamentos horríveis sobre matar o filho, matar
alguém, imaginar que tenha ferido ou ofendido outras pessoas;

Temas profissionais: como terror infundado de perder tudo, ser demitido e
humilhado, etc.
Pensamentos sexuais urgentes e intrusivos;
Dúvidas morais e religiosas;
Uma das maneiras que essas pessoas encontram para diminuir a ansiedade
provocada pelos pensamentos obsessivos, e através de rituais, que com o
tempo acabam por se tornar compulsivos. Os rituais mais comuns são:

Rituais de checagem: verificar ou examinar repetidamente situações, como por
exemplo se o gás está fechado, se a torneira está fechada, a porta trancada,
etc.

Rituais de limpeza: lavar repetidamente as mãos, roupas, objetos de uso
pessoal, etc.
Rituais de ordem: colocar objetos de forma invariavelmente igual, seguindo
um determinado padrão, como arrumar compulsivamente as camisas ou meias
sempre numa mesma ordem, etc.

Rituais de coleção: como juntar coisas sem uma finalidade, como jornais
velhos, tampas ou latas de cerveja, etc.
Rituais de destino: como ter que levantar sempre com o pé direito, entrar
num elevador de determinada maneira, repetir determinados gestos;
Tocar ou contar objetos.
Relatos de portadores de Transtorno
Obsessivo Compulsivo
Exemplos Ilustrativos:
Um advogado sente-se obrigado a conferir depois de arranjar em uma ordem
precisa os objetos sobre uma estante. Ele completa essa série de ações todos
os dias antes de partir para o trabalho. Se ele não ficar satisfeito com o
cumprimento do ritual, ele o recomeça depois de tê-lo iniciado, e chega
bastante atrasado ao trabalho.
Um estudante adolescente está convencido de que se tocar maçanetas, trincos
e puxadores de portas e de outros objetos será contaminado pela sujeira ou
micróbios. Ele passa horas lavando as mãos e a evitar qualquer contato
social com as outras pessoas, por acreditar que será contaminado.
Uma criança guarda fósforos usados para se proteger contra um eventual
incêndio em sua casa.
Uma jovem mãe está convencida de que pode fazer mal ao seu filho. Incapaz
de banir seus sentimentos obsessivos da mente, ela verifica de maneira
repetida os ingredientes relacionados nas embalagens dos alimentos, a fim de
se certificar de que eles não vão envenenar a criança.
Convencido de que o contorno de algo no caminho trata-se de uma pessoa, e
que esta atacará qualquer um que nele passar, um homem que fez uma bela
carreira como representante de comércio, todos os dias passa horas
verificando a passagem para se assegurar de que ninguém entrará em sua casa,
ou o atacará à beira do caminho.
Uma mulher fecha e torna a fechar sua porta antes de ir para o trabalho todo
dia por meia hora, por medo que algo de ruim aconteça a seus filhos.
Um garoto de 14 anos se atrasa todo dia
para ir à escola, pois não consegue
sair do chuveiro até que tenha se ensaboado e enxaguado exatamente 41 vezes.
Uma criança checa inúmeras vezes se o interruptor da luz está desligado,
mesmo parecendo ser óbvio que a luz está apagada.
Um garoto de 5ª série não consegue deixar o vestiário da escola até que seu
tênis esteja com o laço amarrado simetricamente.
Tratamento
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Nos últimos 20 anos a literatura tem indicado a psicoterapia
cognitivo-comportamental como um tratamento promissor para o Transtorno
Obsessivo Compulsivo, pois tem apresentado excelentes resultados e se
mostrado suficiente nos casos menos severos. Essa abordagem trabalha
basicamente com o controle e reavaliação dos pensamentos irracionais que
culminam nas compulsões e ensinando estratégias que visam controlar e
mudar os comportamentos compulsivos.
Nos casos mais severos o psicólogo deve trabalhar em parceria com o
psiquiatra, pois o tratamento medicamentoso se faz necessário, sendo
normalmente ministrados inibidores de reabsorção de serotonina (SRI), que
ajudam a controlar a ansiedade típica do paciente de TOC.
Sempre visando o melhor benefício ao paciente, é aconselhável que os
profissionais solicitam auxílio aos familiares e amigos do paciente, pois os
mesmos são de grande utilidade na avaliação inicial, já que podem relatar
sintomas que passaram despercebidos do próprio paciente, auxiliando na
elaboração das listas de rituais e de evitações valiosas para a elaboração
do plano de trabalho.
Quando crianças e adolescentes são portadores de TOC, é importante que seja
realizado um trabalho junto aos professores, para ter certeza de que eles
compreendem o transtorno.
Se você foi diagnosticada como portador do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
saiba que:
o
Você não está sozinho. Nos Estados Unidos, um em cada 50 adultos é
atualmente portador de TOC e duas vezes esse número já sofreu da doença em
algum momento da vida. No Brasil, esse número corresponde a aproximadamente
3 milhões de pessoas;
o Você não está a caminho de perder o juízo. Seus sintomas são resultantes de
um distúrbio sobre o qual você não tem nenhuma responsabilidade, logo não
deve ter nenhuma vergonha por causa deles;

o Procure tratamento adequado. Caso já esteja em tratamento discuta seus
sintomas de maneira completa e aberta com o seu terapeuta e com o seu
psiquiatra, lembre-se que eles estão preparados para tratar do assunto com
respeito e eficácia;
o Procure ser ativo, se você enfrentar seus temores e tentar não ceder aos
seus comportamentos compulsivos, isso o ajudará a diminuir os efeitos do
Transtorno Obsessivo Compulsivo sobre sua vida.
Se você é parente ou amigo de alguém que foi diagnosticada como portador do
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) saiba que:

o Não deve culpar essa pessoa, pois o
TOC não têm nada a ver com uma falta de
força de vontade e a pessoa não tem a intenção de perturbar a sua vida com
suas manias e rituais;
o Pode ajudar incentivando ativamente a pessoa sofredora de
Transtorno
Obsessivo Compulsivo a procurar a ajuda de um profissional;
o Deve oferecer apoio aos esforços do paciente em querer se tratar. Uma
maneira simples é elogiar todos os sucessos, ainda que limitados, obtidos
por na luta contra os sintomas.




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